sexta-feira, 14 de março de 2014

Reflexão Literária, Castro Alves, História de Abdias do Nascimento (IPEAFRO) e, crônica de Manoel Messias Pereira

poema de Castro Alves


A violeta
Castro Alves

A ROSA vermelha
 Semelha Beleza de moça vaidosa,
 indiscreta.  As rosas são virgens
  Que em doudas vertigens  Palpitam,
 Se agitam E murcham das salas na febre inquieta.
  Mas ai! Quem não sonha num trêmulo anseio
 Prendê-las no seio Saudoso o Poeta.
  Camélias fulgentes, Nitentes,
 Bem como o alabastro de estátua quieta...
 Primor... sem aroma!  Partida redoma!
 Tesouro Sem ouro!
 Que valem sorrisos em boca indiscreta?
 Perdida! Não sonha num tremulo anseio
 Prender-te no seio Saudoso o Poeta
  Bem longe da festa
 Modesta Prodígios de aroma guardando discreta
 Existe da sombra,
 Na lânguida alfombra,
 Medrosa, Mimosa,
Dos anjos errantes a flor predileta
 Silêncio! Consintam que em trêmulo anseio
 Prendendo-a no seio
 Suspire o Poeta.
 Ó Filha dos ermos
 Sem temos!
 O casta, suave, serena
 Violeta Tu és entre as flores
 A flor dos amores
 Que em magos
 Afagos
 Acalma os martírios de uma alma inquieta.
  Por isso é que sonha num trêmulo anseio,
 Prender-te no seio Saudoso o Poeta! ...

Castro Alves

poeta brasileiro
Berimbau - Vinícius de Moraes

IPEAFRO - História de Abdias de Nascimento (Centenário)


ABDIAS NASCIMENTO
(Centenário de Abdias do nascimento)

Escritor, artista plástico, teatrólogo, político e poeta, Abdias Nascimento foi um dos maiores ativistas pelos direitos humanos e deixou um legado de lutas pelo povo afrodescendente no Brasil.

Abdias Nascimento participou da Frente Negra Brasileira nos anos 1930 e ajudou a organizar o Congresso Afro-Campineiro em 1938.

Durante viagem a vários países da América do Sul como integrante do grupo de poetas Santa Hermandad Orquídea, resolveu criar um teatro negro como arma de luta contra a discriminação racial.

Na volta ao Brasil, foi preso por resistir a agressões racistas e criou na Penitenciária de Carandiru, em 1941, o Teatro do Sentenciado.

Ao sair da penitenciária, fundou no Rio de Janeiro, em 1944, o Teatro Experimental do Negro, que rompeu a barreira de cor nos palcos brasileiros e formou a primeira geração de atores e atrizes dramáticos negros do teatro brasileiro, além de propiciar a criação de uma literatura dramática afro-brasileira.

Organizou eventos históricos como o 1o Congresso do Negro Brasileiro (1950) e a Convenção Nacional do Negro (1945-46), que propôs à Assembléia Nacional Constituinte de 1945 políticas afirmativas e a definição da discriminação racial como crime de lesa-Pátria.

O Teatro Experimental do Negro assumiu em 1950 o projeto Museu de Arte Negra, sob a curadoria de Abdias Nascimento. O MAN inaugurou sua primeira exposição em 1968 no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Em seguida, Abdias Nascimento viajou aos Estados Unidos num intercâmbio com o movimento negro norte-americano. Encontrava-se na cidade de Nova York quando o regime militar promulgou o Ato Institucional n. 5. Alvo de vários Inquéritos Policial-Militares, Abdias foi obrigado a ficar no exterior, onde foi professor de várias universidades. Nesse período, ele desenvolveu sua própria atuação como artista plástico, pintando telas que transmitem os valores da civilização africana, da cultura religiosa afro-brasileira e da luta pelos direitos humanos dos povos africanos em todo o mundo. Veja abaixo a relação de exposições artísticas de Abdias. Participou, no Caribe, na África e nos Estados Unidos, de vários encontros do movimento internacional pan-africanista. Em 1978, ele recebeu a primeira indicação ao Prêmio Nobel da Paz.

Também durante essa época, Abdias Nascimento desenvolveu seu trabalho próprio como artista plástico, pintando telas que transmitem os valores da civilização africana, da tradição religiosa afro-brasileira e da luta pelos direitos humanos dos povos africanos em todo o mundo.

Após 12 anos no exílio, Abdias Nascimento retornou ao Brasil e participou do processo de redemocratização do país ajudando a fundar o PDT (Partido Democrático Trabalhista) ao lado de Leonel de Moura Brizola. Como deputado federal Abdias Nascimento elaborou, em 1983, a primeira proposta de legislação instituindo políticas públicas afirmativas de igualdade racial. Continuou defendendo essa proposta, no período de 1991 a 1999, como senador e como titular fundador da Seafro (Secretaria de Defesa e Promoção da População Afro-Brasileira) e da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Autor de poesias, peças teatrais, ensaios e pesquisas, ele foi autor e organizador de vários livros e publicações (ver relação abaixo).

Entre suas obras mais expressivas estão Axés do Sangue a da Esperança (orikis) (poesia, 1983); Sortilégio (Mistério Negro) (peça teatral, 1959, nova versão publicada em 1979); O genocídio do negro brasileiro (1978), Quilombismo (1980, 1ª edição).

Abdias Nascimento foi agraciado com honrarias nacionais e internacionais, como por exemplo o Prêmio Mundial Herança Africana do Centro Schomburg para Pesquisa da Cultura Negra, Biblioteca Pública de Nova York (2001); o Prêmio Toussaint Louverture (2004) e o Prêmio Direitos Humanos e Cultura da Paz (1997), ambos da Unesco; e o Prêmio de Direitos Humanos da ONU (2003).

Na ocasião da 2a Conferência Mundial de Intelectuais Africanos e da Diáspora (2006), iniciativa da União Africana e do Governo Brasileiro, Abdias Nascimento recebeu do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mais alta honraria outorgada pelo Governo do Brasil, a Ordem do Rio Branco no grau de Comendador.

A Câmara dos Vereadores do Município de Salvador outorgou-lhe a cidadania soteropolitana e a Medalha Zumbi dos Palmares em 2007. Ele recebeu homenagem do 4o Festival Internacional de Cinema Negro (São Paulo), bem como o Prêmio Ori da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro pelo conjunto de sua obra literária.

A Universidade Obafemi Awolowo, de Ilé-Ifé, Nigéria, outorgou-lhe, em 2007, o título de Doutor em Letras, Honoris Causa.

O Conselho Nacional de Prevenção da Discriminação, do Governo Federal do México, outorgou a Abdias Nascimento o seu prêmio em reconhecimento à contribuição destacada à prevenção da discriminação racial na América Latina (2008).

O Ministério da Cultura outorgou-lhe a Grã Cruz da Ordem do Mérito Cultural (2007), e em 2009 ele recebeu do Ministério do Trabalho a Grã Cruz da Ordem do Mérito do Trabalho Getúlio Vargas. Ambas são as mais altas honrarias do Governo Federal do Brasil em suas respectivas áreas.

Ainda em 2009, recebeu o Prêmio de Direitos Humanos da Universidade de São Paulo e o Prêmio de Direitos Humanos na categoria Igualdade Racial da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil.

Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York e Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Brasília, Federal e Estadual da Bahia, do Estado do Rio de Janeiro, e Obafemi Awolowo da Nigéria, Abdias Nascimento foi oficialmente indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2010, em função de sua defesa dos direitos civis e humanos dos afrodescendentes no Brasil e no mundo (ver entrevista na Folha de São Paulo). Conheça toda a história da indicação de Abdias Nascimento ao Prêmio Nobel da Paz, e consulte as cartas de personalidades e instituições que apoiaram a indicação.

Abdias Nascimento faleceu no Rio de Janeiro em 23 de maio de 2011, aos 97 anos. O reconhecimento de sua obra foi expresso pelas inúmeras mensagens de condolências vindas de todas as partes do Brasil e do mundo. Abdias Nascimento expressou em vida o desejo de suas cinzas serem levadas à Serra da Barriga, local histórico da construção da vida em liberdade dos africanos e seus descendentes no Brasil e nas Américas. De acordo com esse desejo, no dia 13 de novembro de 2011 a família e o Ipeafro realizaram cerimônia de enterro das cinzas com a participação de organizações da sociedade civil como o Projeto Raízes de Áfricas, de Maceió, e com apoio oficial dos Governos do Município de União dos Palmares e do Estado de Alagoas, bem como da SEPPIR/PR e da Fundação Cultural Palmares/MinC do Governo Federal.

A família e o Ipeafro realizaram cerimônias do sétimo dia e deum ano do falecimento de Abdias no Cais do Valongo, sítio histórico cuja preservação era reivindicação da sociedade civil no momento de seu falecimento no Hospital dos Servidores, ao lado do local por onde passaram mais de 500 mil ancestrais africanos escravizados. As cerimônias inter-religiosas foram acompanhadas de atos culturais, realizadas no espaço do edifício Docas Dom Pedro II, sede da Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria.

Abdias Nascimento recebeu várias homenagens na ocasião de seu falecimento, como o poema “Dias de Kizomba”, de Conceição Evaristo, o texto da escritora e artista plástica Iara Rosa, de Búzios, e o poema do escritor e educador Peter Lownds, incomparável intelectual norte-americano que traduziu ao inglês a primeira versão da peça Sortilégio de Abdias. Veja o obituário do jornal The New York Times e as mensagens e homenagens recebidas pelo Ipeafro e pela família na ocasião de seu falecimento.

A obra artística de Abdias Nascimento

A cultura africana sempre fundamentou a atuação artística de Abdias, tanto no teatro como na poesia e na pintura. Sua pintura explora e interpreta vários universos simbólicos a partir da matriz primordial do Egito antigo, percorrendo o candomblé, o vodu do Haiti e os ideogramas adinkra da África ocidental. Essas referências se mesclam à evocação de heróis e princípios da luta libertária na África e na diáspora.

Mas a principal referência da pintura de Abdias é a cultura religiosa afro-brasileira: o culto aos orixás. Ao invocar e homenagear as entidades e os valores da cultura religiosa afro-brasileira, sua pintura nos traz uma reflexão atual e profunda sobre princípios como a justiça, a paz, o poder e a guerra. Numa cosmologia que reúne os ancestrais, os vivos, os não nascidos e as forças da natureza, esses valores voltam-se sempre para o futuro. O ambientalismo, por exemplo, é parte viva e integral dessa religiosidade. Os seres da natureza povoam as telas de Abdias numa troca constante: peixes nadando no céu, criaturas aladas em terra e mar, folhas brotando de pernas e asas. Essa convivência em espaços diversos é metáfora da unicidade essencial entre as formas de vida, consignada no princípio de oferenda.Os elementos da natureza estão sempre presentes: água, ar, terra e fogo representam essa filosofia religiosa com sua cosmologia tão especial.

Acesse imagens das obras artísticas de Abdias Nascimento.

ABDIAS NASCIMENTO
EXPOSIÇÕES REALIZADAS

Individuais

Galeria de Arte do Harlem, Nova York, 1969.

Galeria Crypt, Universidade Columbia, Nova York, 1969.

Escola de Arte e Arquitetura, Universidade Yale, New Haven, 1969.

Casa Malcolm X, Universidade Wesleyan, Middletown, CN, 1969.

Galeria de Arte Africana, Washington DC, 1970.

Galeria Sem Paredes, Búfalo, NY, 1970.

Centro de Estudos e Pesquisas Porto-riquenhos, Universidade do Estado de Nova York, Búfalo, 1970.

Departamento de Estudos Afro-Americanos, Harvard, Cambridge, MA, 1972.

Museu da Associação Nacional de Artistas Afro-Americanos, Boston, 1971.

Studio Museum in Harlem, Nova York, 1973.

Centro Langston Hughes, Búfalo, NY, 1973.

Museu de Belas Artes, Syracuse, NY, 1974.

Galeria da Universidade Howard, Washington DC, 1975.

Centro Cultural Inner City, Los Angeles, 1975.

Museu Ilé-Ifé de Cultura Afro-Americana, Filadélfia, 1975.

Galeria do Banco Nacional, São Paulo, Brasil, 1975.

Galeria Morada, Rio de Janeiro, Brasil, 1975.

Museu de Artes e Antiguidades Africanas e Afro-Americanas, Centro para Pensamento Positivo, Búfalo, NY, 1977.

El Taller Boricua e Centro Cultural do Caribe, Nova York, 1980.

Galeria Sérgio Milliet, Fundação Nacional das Artes (FUNARTE), Ministério da Cultura, Rio de Janeiro, Brasil, 1982.

Palácio da Cultura Gustavo Capanema, Ministério da Cultura, Rio de Janeiro, Brasil, 1988.

Salão Negro, Congresso Nacional, Brasília, DF, 1997.

Galeria Debret, Paris, 1998.

Arquivo Nacional (antiga Casa da Moeda), Rio de Janeiro, 2004-2005.

Galeria Athos Bulcão, anexo ao Teatro Nacional, Brasília, DF, 2006.

Caixa Cultural Salvador/ II Conferência Mundial dos Intelectuais Africanos e da Diáspora, 11 de julho a 29 de agosto de 2006.

5ª Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), Rio de Janeiro, janeiro de 2007.

Centro Cultural Justiça Federal do Rio de Janeiro, outubro a dezembro de 2011.

SESC São João de Meriti, novembro de 2011.

Biblioteca Municipal Leonel de Moura Brizola, Duque de Caxias, novembro-dezembro de 2011.

Casa de Cultura de Maricá, novembro de 2011 a janeiro de 2012.

Centro de Convenções, Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Campos dos Goytacazes, março a maio de 2012.

Coletivas e Coleções Permanentes

Museu Everson de Artes, Syracuse, NY, 1972.

Galeria Salomé, Nova Orleans, LA, 1973.

Galeria Rainbow Sign, Berkeley, CA, 1975.

Artists ’79, Sede das Nações Unidas, Nova York, 1979.

Coleção permanente, Museu de Artes e Antiguidades Africanas e Afro-Americanas, Centro para Pensamento Positivo, Búfalo, NY (duas telas).

Coleção Permanente, Instituto de Estudos Latino-Americanos, Universidade Columbia, Nova York.

 ABDIAS NASCIMENTO
OBRAS PUBLICADAS SELECIONADAS

Livros

O Griot e as Muralhas, com Éle Semog. Rio de Janeiro: Pallas, 2006 (236 pp).

Quilombo: Edição em fac-símile do jornal dirigido por Abdias do Nascimento. São Paulo: Editora 34, 2003 (127 pp).

O quilombismo, 2a ed. Brasília/ Rio de Janeiro: Fundação Cultural Palmares/ OR Produtor Editor, 2002 (362 pp).

O Brasil na Mira do Pan-Africanismo. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais/ Editora da Universidade Federal da Bahia EDUFBA, 2002 (342 pp).

Orixás: os Deuses Vivos da África/ Orishas: the Living Gods of Africa in Brazil. Rio de Janeiro/ Filadélfia: Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros/Temple University Press, 1995 (170pp).

A Luta Afro-Brasileira no Senado. Brasília: Senado Federal, 1991 (35 pp).

Nova Etapa de uma Antiga Luta. Rio de Janeiro: Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras – SEDEPRON, 1991 (32 pp).

Africans in Brazil: a Pan-African Perspective, com Elisa Larkin Nascimento. Trenton: Africa World Press, 1991 (218 pp).

Brazil: Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Dover: The Majority Press, 1989 (224 pp.

Combate ao Racismo, 6 vols. Brasília: Câmara dos Deputados, 1983-86 (Discursos e projetos de lei.) (Aproximadamente 120 pp. em cada volume.)

Povo Negro: A Sucessão e a “Nova República”. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1985 (68 pp).

Jornada Negro-Libertária. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1984 (29 pp).

A Abolição em Questão, co-autoria com José Genoíno e Ari Kffuri. Sessão Comemorativa do 96o Aniversário da Lei Áurea (9 de maio de 1984). Brasília: Câmara dos Deputados, 1984 (40 pp).

Axés do Sangue e da Esperança: Orikis. Rio de Janeiro: Achiamé e RioArte, 1983 (poesia, 109 pp).

Sitiado em Lagos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981 (111 pp).

O Quilombismo. Petrópolis: Vozes, 1980 (281 pp).

Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. (Peça de teatro, 141 pp)

Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds. Chicago: Third World Press, 1978 (55 pp).

Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Búfalo: Afrodiaspora, 1979 (224 pp).

O Genocídio do Negro Brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978 (184 pp).

“Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 2a ed. Ibadan: Sketch Publishers, 1977 (178 pp).

“Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 1a ed. Ile-Ife: University of Ife, 1976 (83 pp).

Sortilégio (mistério negro). Rio de Janeiro: Teatro Experimental do Negro, 1959 (141 pp) (peça de teatro.)

Organização de antologias, revistas, e obras coletivas

Thoth:Pensamento dos Povos Africanos e Afrodescendentes, nos. 1-6. Brasília: Senado Federal, 1997-98.

Afrodiaspora: Revista do Mundo Africano, nos. 1-7. Rio de Janeiro: IPEAFRO, 1983-86.

O Negro Revoltado, 2a ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982 (403 pp).

Journal of Black Studies, ano 11, no. 2 (dezembro de 1980) (número especial sobre o Brasil) (264 pp).

Memórias do Exílio, org. em colaboração com Paulo Freire e Nelson Werneck Sodré. Lisboa: Arcádia, 1976 (372 pp).

Oitenta Anos de Abolição. Rio de Janeiro: Cadernos Brasileiros, 1968 (127 pp).

Teatro Experimental do Negro: Testemunhos. Rio de Janeiro: GRD, 1966 (170 pp).

Dramas para Negros e Prólogo para Brancos. Rio de Janeiro: TEN, 1961 (419 pp).

Relações de Raça no Brasil. Rio de Janeiro: Quilombo, 1950 (75 pp).

Participação em antologias e obras coletivas

“Quilombismo, um conceito emergente do processo histórico-cultural da população afro-brasileira”. In: Elisa Larkin Nascimento (org.), Afrocentricidade, Uma abordagem epistemológica inovadora, Coleção Sankofa v. 4. São Paulo: Summus/Selo Negro, 2004, p. 197-218.

“O negro e o parlamento brasileiro”, co-autoria com Elisa Larkin Nascimento. In Munanga, Kabengele, org., O negro na história do Brasil. Brasília: UnB/ Fundação Cultural Palmares, 2004, p. 105-151.

“Comentário ao Artigo 4o”. In Direitos Humanos: Conquistas e Desafios. Brasília: Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil/ Comissão Nacional de Direitos Humanos, 1998, p. 55-64.

“Quilombismo: the African-Brazilian Road to Socialism,”in Asante, Molefi K. e Abarry, Abu S., orgs., African Intellectual Heritage: a Book of Sources. Filadélfia: Temple University Press, 1996, p.755-64.

Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds (peça de teatro). Callaloo, A Journal of African-American and African Arts and Letters, v. 18, n. 4 (1995), p. . Special Issue, African Brazilian Literature. Johns Hopkins University Press.

Sortilege II: Zumbi Returns (peça de teatro).In: Crosswinds: an Anthology of African Diaspora Drama, org. William B. Branch. Bloomington: Indiana University Press, 1991, p. 203-49.

“Quilombismo: the African-Brazilian Road to Socialism.”In: African Culture. The Rhythms of Unity, org. Molefi K. Asante e Kariamu W. Asante. Trenton: Africa World Press, 1990, p. 174-91. (Primeira edição publicada em 1987 pela Greenwood Press.)

 “African Presence in Brazilian Art,”Journal of African Civilizations, v. 3, n. 2 (novembro de 1981), p. 49-68.

“Teatro Negro del Brasil: una Experiencia Socio-Racial.”In: Popular Theater for Social Change in Latin America, a Bilingual Anthology, org. Gerardo Luzuriaga. Los Angeles: UCLA Latin American Studies Center, 1978, p. 251-80.

“Reflections of an Afro-Brazilian,”Journal of Negro History, v. LXIV, n. 3 (verão 1979).

“African Culture in Brazilian Art,” Journal of Black Studies, v. 8, n. 4 (junho de 1978), p. 389-422.

“Afro-Brazilian Theater, a Conspicuous Absence,”Afriscope v. VII, n. 1 (Lagos, janeiro de 1977).

“Afro-Brazilian Art: a Liberating Spirit,”Black Art: an International Quarterly, v. I, n. 1 (outono de 1976).

“Open Letter to the First World Festival of Negro Arts,”Présence Africaine v. XXX, n. 58 (verão de 1968), p. 208-18.

“Carta Aberta ao Festival Mundial das Artes Negras,” Tempo Brasileiro, ano IV, n. 9/10 (abril-junho de 1966).

“The Negro Theater in Brazil,”African Forum v. II, n. 4 (primavera de 1967).

“Mission of the Brazilian Negro Experimental Theater,”The Crisis v. 56, n. 9 (outubro de 1949).

Veja outras informações no site: http://www.abdias.org.br/

O Ipeafro trabalha com a matriz africana e relações étnico-raciais no ensino brasileiro


Refavela



As sementes da Verdade

Quando o Papa João Paulo II comentou que o socialismo tinha sementes de verdade, muitos capitalistas radicais escandalizaram-se, mas vale a pena lembrar que historicamente, quando Pilatos perguntava a Jesus Cristo o que era a verdade, ele não esperou a resposta, mas Cristo era a própria verdade e a vida. 

Filosoficamente niguém é dono da verdade absoluta, daí podemos até procurar verdades nas poesias de Shakespeare, na crônica de Dinah Silveira de Queiroz, nos pensamentos de Franklin Delano Roosevelt e até no Capital de Karl Marx. 

O guerrilheiro Che Guevara, dizia que há verdades tão evidentes, tão incorporado ao conhecimento dosa povos que já tornou -se inútil discuti-las. E acreditava que deve ser marxista, com a mesma naturalidade que se é newtoniano em física ou pasteuriano em biologia, considerando que os fatos determinam os conceitos.

 Enquanto isto Marx 
afirmara, que "não é a consequência dos homens que determina o seu ser, mas ao contrario o seu ser social que determina a sua consciência.

 Leon Trotsky,  dizia que Marx definiu a ciência como o conhecimento dos recursos objetivos da natureza, o homem procurou obstinadamente e persistentemente excluir a si mesmo da ciência, reservando -se o privilégio especial sob a forma de um pretenso intercâmbio com forças supra sensíveis ou da religião ou preceitos morais ou idealismo. Mas a historia da sociedade humana é a sucessão de sistemas econômicos, em que a comuna primitiva um dia foi substituída ou complementada pela escravidão que se seguiu a servidão com a sua superestrutura feudal, e com o desenvolvimento comercial das cidades na sequência levou a Europa no século XVI à ordem capitalista que passou por diferentes etapas, mas com leis específicas próprias, e complementa ele que a força do marxismo reside em aproximar dos fenômenos econômicos, não do ponto de vista subjetivo de certas pessoas, mas do ponto de vista objetivo do desenvolvimento da sociedade em que seu conjunto, Marx é um materialista histórico dialético e,  parte da existência da consciência e não do contrario, é dialético pois observa a natureza e a evolução social com suas lutas constantes. 


Enquanto Cristo ensinou a visão universal, Marx trabalhou a visão internacional. Enquanto o Cristianismo é fraternal , o Marxismo é coletivo e hoje busca incorporar novas correntes humanistas e ecológicas, numa luta de amor, rumo à uma outra estratificação social. Tivemos ao longo do tempo, palavras proferidas aos ventos, mas as palavras necessitam da comunhão e como dizia o filósofo Nietzsche "os grandes eventos não são nossas horas mais ruidosas, mas nossos instantes mais silenciosos". E entre Cristo e Marx, o Carol Vojtyla, talvez fazendo um exame de consciência, já que ele perseguiu e foi tão cruel a ponto de suas ideias terem assassinados outros seres humanos fruto da mesma gênesis da criação, mas que eram marxistas. Seres criticados pela Igreja e pelos pontífices. Por crer que o capitalismo é uma espoliação em que há claramente a exploração de um ser humano sobre o outro de uma nação sobre a outra estabelecendo conflitos eternos.  E aí sim creio que com certeza ele encontrou sementes de verdades, e olhando para o céu, pensou na chuva que deveria  futuramente germinar as sementes, para que o mundo em PAZ, possam saber ter as flores e colher os frutos. Os benditos frutos.


Manoel Messias Pereira

poeta, cronista

São José do Rio Preto - SP



MV Bill

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