quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Peru tem que aprender de Cuba na educação





Perú tiene "muchísimo" que aprender de Cuba en educación (legislador)

AFP
21/02/2012 - 21:38 Puntúa la noticia :



.El presidente del Congreso de Perú, Daniel Abugattás, afirmó este martes en La Habana que su país tiene mucho que aprender de Cuba en materia de "educación", "desarrollo científico" y "lucha contra la pobreza", según declaraciones divulgadas por la televisión cubana.



"Hay muchísimo que nosotros precisamente venimos a apreciar en el avance, en el aspecto de inclusión social, en la lucha contra la pobreza, la igualdad de oportunidades, y el desarrollo que están alcanzando a nivel (...) educativo, científico", dijo Abugattás, quien también calificó de "impresionante" el dearrollo turístico de la isla.



El desarrollo que está alcanzandoi Cuba "se convierte en un ícono para América Latina", añadió Abugattás, quien llegó el lunes a La Habana para una visita oficial de cuatro días a la isla y se reunió ese mismo día con su par cubano, Ricardo Alarcón.



El líder parlamentario peruano, quien estará en Cuba hasta el próximo jueves, destacó que las relaciones entre La Habana y Lima gozan ahora de "una amistad especial por la cercanía del (gobernante) Partido Nacionalista Peruano con el Partido Comunista de Cuba, con los líderes y políticos cubanos".



La televisión subrayó que Abugattás y Alarcón examinaron "los vínculos históricos entre ambos parlamentos".



Las relaciones entre Cuba y Perú, distantes durante décadas, recibieron un nuevo impulso desde la llegada al poder del izquierdista Ollanta Humala, quien visitó Cuba en julio de 2011, cerrando una gira continental que incluyó a varios países de la región, entre ellos México, Venezuela y Estados Unidos.



El presidente cubano Raúl Castro se reunió en octubre pasado con la vicepresidenta de Perú, Marisol Espinoza, con quien abordó el reforzamiento de las relaciones entre los dos países.



Antes de ese encuentro, la canciller había acordó con su homólogo cubano, José Ramón Machado, fortalecer las relaciones bilaterales, sobre todo en educación, salud y deportes, según medios oficiales cubanos.



rd/cb/ja









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Fatos Históricos, Políticos, Sociais, artísticos e Literários

Em 29 de fevereiro de 1988 - Oarcebispo  Desmond Tutu foi detido com uma centena de religiosos na cidade do Cabo - África do Sul, em protesto contra o Apartheid.

Em 29 de fevereiro de 2004 - O ex-presidente do Haiti, o padre Jean Bertrant Aristides, foi raptado por forças dos Estado Unidos da América.

Curso de Especilaização "Latus Sensu"Educomunicação



Entre 5 e 22 de março, ficam abertas as inscrições para o curso de especialização “lato sensu” Educomunicação: Comunicação, Mídias e Educação, do Departamento de Comunicação e Artes (CCA) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. O curso tem duração de três semestres e oferece 60 vagas. As aulas irão se inciar em abril. O processo seletivo ocorrerá no período de 05 a 22 de março. O curso tem como pré-requisito o nível superior em qualquer área do conhecimento.



Este curso destina-se a profissionais de nível superior, de qualquer área do saber, que queiram mobilizar seus conhecimentos para o campo da Educomunicação e que tenham interesse em conhecer as bases dos processos comunicacionais.



O curso deve ser pago em 18 parcelas de R$ 650,00. A estrutura do curso pode ser visualizada neste link. A ECA fica na Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, Cidade Universitária, São Paulo.



Mais informações: (11) 3091-4341





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Dilma afirma reconstruirá estação na Antártica

Dilma Rousseff garante que governo reconstruirá estação na Antártica
Redação SRZD
Nacional



O governo federal reconstruirá a Estação Comandante Ferraz, na Antártica, destruída na madrugada do último sábado por um incêndio que terminou com a morte de dois militares. A informação foi divulgada, nesta terça-feira, pela presidente Dilma Rousseff.



De acordo com Dilma, a base será modernizada, mas pesquisadores terão influência na nova estrutura adotada.



"As condições sobre como vamos fazer dependem dos técnicos que vão dizer qual é, hoje, a melhor forma", explicou, acrescentando que cientistas já planejavam fazer mudanças nas instalações antes mesmo do acidente.



"Agora que infelizmente isso (incêndio) aconteceu, vamos aproveitar (para fazer as obras)", disse.



Dilma ainda se referiu aos dois militares que morreram na estação como heróis. Segundo ela, o primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos e o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo "não titubearam em arriscar suas vidas para salvar as pessoas que estavam na estação".



- Homenagem aos mortos é marcada pela emoção

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Dicionário é processado por preconceito



Dicionário é processado por preconceito

O dicionário define cigano como "aquele que trapaceia, velhaco", deixando expresso que é uma linguagem perjorativa

Da Redação com BandNews noticias@band.com.br



O Ministério Público Federal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro quer retirar de circulação exemplares do dicionário Houaiss, sob alegação de que a obra contém referências preconceituosas e racistas contra a comunidade cigana.







A ação contra a Editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss - responsáveis pela publicação - é sustentada pelo procurador Cleber Eustáquio Neves. Ele afirma que “ao ler-se num dicionário que a nomenclatura "cigano" significa "aquele que trapaceia, velhaco", entre outras coisas do gênero - ainda que deixe expresso que é uma linguagem pejorativa - fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação”







Em 2009, o Ministério Público Federal recebeu uma queixa de um cidadão de origem cigana questionando uma definição do dicionário. A editora foi recomendada a mudar o texto, mas alegou que as responsabilidades sobre o conteúdo da obra são do Instituto Antônio Houaiss.







O Instituto informou, em nota, que alterou a definição de "cigano", assim como todas as palavras ligadas ao tema, em uma segunda edição do dicionário, que ainda não foi publicada.

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Fatos Históricos, Políticos, Sociais, Artísticos e Literários

Em 28 de fevereiro de 1927 em Londres grande manifestação contra a condenação a morte, pela justiça norte americana dos imigrantes italianos Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti.



Em 28 de fevereiro de 1935 - faleceu a compositora brasileira Chiquinha Gonzaga


Em 28 de fevereiro de 1945 - É anunciada as eleições para governador Constituinte e Assembleias Legislativa.


Em 28 de fevereiro de 1959 o PCB lança o semanário Novos Rumos, dirigido por Mario Alves


Em 28 de fevereiro de 1968 - nasceu a cantora  brasileira Tereza Cristina

Em 28 de fevereiro de 1981 - Onze partidos socialistas africanos da Tunisia, Marrocos, Senegal, Ilha de Mauricio,Sudão, Gãmbia Ghana, Somália Djibuti anunciam a Organização Socialista inter-africano presidida por Leopoldo Sedar Senghor.

Brasil foi marcado pela "ochilelembya"


Cultura

O Brasil foi marcado pela "ochilelembya"




Grupo de Capoeira toca no Peloruinho de Salvador da Baía um instrumento musical de origem africana





Fotografia: Reuters

É a inevitável conclusão que se pode fazer após a leitura da obra “História e Cultura Afro-Brasileira”, de Regiane Augusto de Mattos, livro que acaba de ser republicado em São Paulo pela editora Contexto.

O Brasil ostenta uma bem enraizada essência imaterial niger.

Com 217 páginas e um suporte abertamente didáctico, que surge das imparáveis iniciativas registadas na sequência da promulgação, em 2003, da lei de ruptura que tornou obrigatório o ensino da evolução histórica e das realidades culturais africanas e afro-brasileiras nas escolas, o manual é articulado numa sucessão cronológica absolutamente justa em quatro grandes capítulos que apresentam “As Sociedades Africanas”, “O Tráfico de Escravos”, “Os Africanos no Brasil” e “A Cultura Afro-Brasileira”.

No livro encontramos desenvolvimentos e sínteses sobre vários povos e formações políticas de África, tais como os reinos do Congo, Loango, Andongo, Libolo, Luba e Lunda.

Essas sinopses são acompanhadas de exercícios pedagógicos inteligentes. A autora, apanhada pela “ochilelembya” (alma, em umbundu), inicia a sua obra com a famosa tirada poética de Agostinho Neto “Aspiração”. A autora escolheu, muito voluntariamente, esta peça que contém bantuismos muito dicionarizados no português do Brasil, tais como: congo, batuque, quissange, marimba e sanzalas.



Cambinda Estrela











A intangibilidade é confirmada no acervo bibliográfico que a autora utilizou. Encontram-se aí estudos tais como “Os Rosários dos Angolas”, de Lucilene Reginaldo, “História da festa de coroação de Rei Congo” e “Cafundo, a África no Brasil”, de Carlos Vogte Peter Fry.

São locutores bantu que constituiram a maior parte da mão-de-obra cativa em várias regiões da colónia portuguesa da América meridional, introduzidos com picos de congos/angolas, no século XVII. Neste duo genérico sobressaíam os Cacondas, Cassanges ou Cacanjes, Cabindas, Benguelas, Monjolos (Holos?) e Rebolos.

A memorialista, actualmente conservadora no Museu Afro-Brasileiro, insiste em mencionar um testemunho precioso, o do alemão Johann M. Rugendas, que esteve no Brasil na primeira metade do século XIX e que notou e restituiu, em várias estampas, a semelhança física entre os Congos, os Angolas e os Rebolos. São eles que vão influenciar decisivamente a evolução social e política do Brasil, na sequência do cruzamento de conjunto de resistências tenazes de várias formas. Uma dessas expressões de oposição, que contribuiu para a interdição da escravidão no Brasil, foi a organização dos quilombos.

O termo quilombos, atestado no sistema de concordância das línguas da África Central, Oriental e Austral, estabilizou-se no sentido de acampamento, campo ou terreno cercado ou protegido, lugar onde se acampa. Deu, em kikongo, lumbu, em kimbundu, kilombo, e em umbundu, elombe.

A investigadora paulista aponta, entre centenas de territórios livres que foram organizados no subcontinente esclavagista, uma dezena, sobretudo nas áreas mineiras: no Matto Grosso, Grão Pará, Maranhão, Minas Gerais, Goiás, Pernambuco, Curukango, no Rio de Janeiro, no Buraco de Tatu, na Baía, Palmares.



O popular Maxixe



Foram estes núcleos de liberdade que fortaleceram o contínuo linguístico e antropológico africano no Brasil. O facto de terem sido extraídos mais cativos na África centro-ocidental (do actual território angolano), fez com que as expressões culturais afro-brasileiras tenham um forte perfil bantu. Regiane Augusto de Mattos, que trabalha actualmente sobre Moçambique, outra terra dos Bantu, aconselha a reter a prática, massiva, ritual, medicinal e coreográfica do calundu, verificada no século XVII no Brasil com os candomblés angolas, o privilégio concedido aos africanos da nação Angola de ocuparem os cargos de direcção das irmandades da Nossa Senhora do Rosário e a exclusividade reservada em Salvador aos angolas e crioulos de integrarem a ordem.

Essas disposições específicas partiram do Ndongo e da Matamba, onde, no século XVII, o capuchinho António de Gaeta, primeiro confessor da Rainha Nzinga, fundou uma agremiação dedicada à devoção da Nossa Senhora do Rosário, que teve representações em várias localidades, tais como Cassange, Quissama e Massangano.

A pedagoga leva igualmente a fixar dezenas de expressões linguísticas, religiosas ou artísticas, tais como a umbanda, cuja ligação em kimbundu e umbundu é similar e em kikongo, kimbanda.

A autora remete também para se inculcar a etimologia do samba, que significa, claramente, nas línguas bantu, movimento pélvico. A reter a presença, no maracatu carnavalesco, em Pernambuco, nos anos 50 do século passado, do grupo Nação Cambinda Estrela. A autora refere-se às composições sambistas “Benguele” elaboradas em 1946 por Pixinguinha.

De realçar o extraordinário sucesso, no final do século XIX, do “maxixe”, que saiu dos bailes populares e conquistou os salões frequentados pelas classes alta e média cariocas, e foi, até mesmo, levado para a Europa.

O livro “História e Cultura Afro-Brasileira” prova, uma vez mais, a força de intercalação, em circunstâncias extremamente difíceis, das manifestações linguísticas e antropológicas angolanas no Brasil.

A obra confirma que uma substancial parte do famoso alento brasileiro partiu do Quadrilátero e que as duas nações atlânticas estão vocacionadas para manter laços de estreita fraternidade.


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Estudante candense detido em Dourados

Fátima do Sul, 28 de Fevereiro de 2012



Canadenses detidos em Dourados tinham autorização para pesquisa em aldeia

Dourados Agora Estudantes de Jornalismo e um professor de uma universidade pública do Canadá, foram detidos pela Polícia Federal em Dourados na última sexta-feira por volta 15h.



O grupo formado pelo professor Peter Klein, e os estudantes Alekxandra Soga de 25 anos, Sam Eifling de 31anos e Caljr Shan de 31 anos, permaneceu por mais de cinco horas prestando depoimentos sobre gravações realizadas em Mato Grosso do Sul sobre a comunidade indígena. Com o visto de turista nas mãos, os estudantes canadenses afirmaram que estavam de forma legal no Brasil e que o documentário que faz parte de um trabalho acadêmico tinha sido previamente acertado com a Funai e com as lideranças que compõem o Movimento de Povos Indígenas do Brasil.



Também houve a informação, não confirmada pela Polícia Federal, de que a denúncia era a que o grupo não tinha autorização para atuar por meio de trabalho no Brasil e que supostamente o vídeo seria comercializado no exterior. Em depoimento o grupo comprovou se tratar de um trabalho acadêmico.



De acordo com a tradutora dos estudantes canadenses, Érica Tarnowsai, a impressão que tiveram é a de que houve uma denúncia anônima, mas que a Polícia Federal comprovou que não haviam irregularidades e que tudo não passou de um engano. A tradutora informou ao jornal O Progresso e ao site Douradosagora que os estudantes, assim que deixaram a Polícia Federal voltaram ao seu país de origem.



A comitiva, que tinha ainda a tradutora um motorista, estava sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Dourados para gravar alguns depoimentos, quando foram surpreendidos por policiais federais que apreenderam os equipamentos de filmagem e conduziram o grupo até a delegacia.



Ela disse a detenção foi por volta das 15h e que só foram liberados 5 horas depois. Para a tradutora, pesar de assustados com a detenção pela Polícia Federal, o grupo comprovou as autorizações e as regularidades no visto. O tema do documentário são os conflitos de terras envolvendo índios e fazendeiros em Mato Grosso do Sul. Destaque para a ocorrência registrada em novembro do ano passado no acampamento Guaiviry no município de Aral Moreira bem na divisa com o Paraguai quando pelos menos 200 índios teriam sido vítimas de um ataque. Depois disso, o líder da tribo, Nísio Gomes desapareceu.



A repórter Lia Nogueira, da TV Record acompanhou o caso. Segundo ela, a imprensa foi barrada pela Polícia Federal no momento da detenção. Mesmo assim, segundo ela, os veículos conseguiram conversar com os estudantes após a liberação. Um deles relatou a jornalista que por várias vezes o grupo entrou em contato com a Funai. Segundo ele, a coordenação regional do órgão, deu garantia de que eles poderiam realizar os trabalhos em Mato Grosso do Sul e que as filmagens estavam liberadas.



A jornalista disse que o caso foi comunicado ao Ministério Público Federal (MPF). No entendimento dos procuradores, segundo Lia, os índios têm autonomia para autorizar filmagens, gravações que sejam feitas em áreas indígenas, isso sem autorização prévia da Funai. Segundo ela, o grupo já havia passado por aldeias de Aral Moreira e Rio Brilhante e estavam em Dourados apenas para coletar depoimentos da coordenação regional da Funai.



POLÍCIA FEDERAL

A Assessoria de Comunicação da Polícia Federal informou ao O PROGRESSO que houve a denúncia de que o grupo estava de forma ilegal no Brasil e que não tinham autorização para entrar na Reserva. Agentes da PF foram até a Funai, onde o grupo estava e pediram para que eles se dirigissem até a delegacia. Segundo a PF tudo ocorreu de forma expontânea, sendo que o grupo foi até a PF em carro particular para prestar esclarecimentos sobre a denúncia. A PF disse ainda que o material foi apreendido para verificar se existiam imagens dentro da reserva indígena, o que caracterizaria ilegalidade, mas em nenhuma das imagens ficou provado a suposta invasão nas aldeias.



A assessoria contesta que as declarações duraram 5 horas afirmando que o tempo foi bem menor e que todos os procedimentos foram adotados de modo a garantir a segurança dos povos indígenas do Brasil.



O jornal e o site tentaram contato com a coordenação da Funai de mas sem sucesso, uma vez que ninguém atendeu aos telefones celulares.



DESAPARECIMENTO

Para os órgãos de proteção ao índio e para a própria polícia, o desaparecimento do cacique guarani ainda é um mistério. Os autores do ataque seria um grupo com cerca de 40 pistoleiros - munidos com armas de groso calibre. Há suspeita de que o ataque seria comandado por fazendeiros, o que não ficou provado. Quatro fazendeiros, um advogado, dois administradores de empresa de segurança e mais três seguranças, totalizando 10 pessoas, foram indiciados pela Polícia Federal por envolvimento no ataque ao acampamento indígena.



A Polícia Federal diz, porém, que não há indícios da execução de Nisio e afirma, ainda, que os índios mentiram sobre o que aconteceu. O próprio filho de Nisio, principal testemunha do atentado, foi indiciado por denunciação caluniosa. Para a polícia, o indígena pode estar vivo.



O laudo pericial concluiu que “ficou impossibilitado de inferir sobre suposto homicídio do indígena Nizio Gomes, visto que a quantidade de sangue que apresentava possível compatibilidade com seu perfil e os demais indícios encontrados no local, não foram suficientes para que se confirmasse tal suspeita”. Isso quer dizer que, conforme a perícia, o ferimento de Nízio Gomes, possivelmente feito com balas de borracha, não foi suficiente para causar sua morte.



Foram recolhidas em vários locais do acampamento mostras de sangue para exames de perfil genético e, conforme a nota divulgada, somente em um destes locais foi possível a compatibilidade com o perfil genético do índio Nizio Gomes, porém este lugar é o que havia menos sangue.



O sangue em maior quantidade encontrado no local ainda está em fase de análise de compatibilidade. Segundo a PF também havia sangue dos agressores, já que um deles foi ferido no local dos fatos por Nizio Gomes, que utilizou um machado com veneno de sapo, segundo os indígenas.













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Consequência da Semana de 1922, no Ceará



O Grupo Clã, ativo no Ceará entre os anos de 1940 e 1950, foi um dos movimentos influenciados tanto pela renovação quanto pela ruptura da Semana de 22. Entre os integrantes, Moreira Campos, João Clímaco Bezerra e José Alcides PintoUma legião de escritores cearenses foi forjada pelo movimento paulista, ainda vivo no estilo de muitos



Há dez anos escrevi o artigo "Semana de Arte de 1922, raízes e consequências", publicado no livro "Modernismo: 80 anos" (Fortaleza: Academia Cearense de Letras, 2002). Penso ter alinhado no referido artigo as contribuições da Semana de 22 na literatura, nas artes plásticas, na arquitetura, na música erudita, na popular, e no teatro de nosso País.



Este ano, quando a Semana chega aos 90 anos, perguntam-me: "Quais as consequências deste evento nonagenário na literatura cearense?"



Ora, antes de qualquer outra consideração, é preciso sublinhar que o espírito iconoclasta daquele evento ocorrido em São Paulo na segunda década do século XX, já se manifestara pioneiramente no Ceará com a fundação da Padaria Espiritual a 30 de maio de 1892. Na verdade, desde o início, a ação da Padaria Espiritual foi, no dizer de Antônio Sales, "uma festa original, onde a boa gargalhada substituía o tonitroar da retórica cediça e narcótica, destoando travessamente das lúgubres noitadas que se passam no recinto dessas sociedades literárias, hirtas e parvas com seus estatutos maçudos, as suas artes de irmandade do Sacramento e a sua discurseira inoperante".



Estas palavras de Sales são típicas de um discurso tanto de ruptura quanto de renovação cultural que ocorre entre nós bem antes da performance havida em São Paulo. Outra manifestação precursora do Modernismo no Ceará é apontada por Otacílio Colares em "Lembrados e esquecidos" (Fortaleza: IUC, 1975) quando escreve: "Como Menotti del Pichia e Tasso da Silveira, simbolistas aos primeiros passos e assim, precursores do modernismo de vanguarda, assim também pode ser considerado Mário da Silveira, milagre de intuição poética no acanhado meio provinciano", naturalmente o de Fortaleza da década de 1920.



Sânzio de Azevedo, em "Literatura cearense" (Fortaleza: ACL, 1970) inclui Mário da Silveira (autor cujos poemas foram reunidos postumamente sob o título "Coroa de rosas e de espinhos") no espaço dedicado ao Pré-Modernismo, mas em "Aspectos da literatura cearense" (Fortaleza: UFC/ACL, 1982) conclui o capítulo dedicado a Mário assegurando ao poeta o lugar de "legítimo precursor do Modernismo na poesia cearense".



Fases



"O canto novo da raça" (Fortaleza: Tipografia Urânia, 1927), opúsculo de 40 páginas partilhadas por Jáder de Carvalho, Sidney Neto, Mozart Firmeza e Franklin Nascimento, é considerada por Sânzio "o livro inaugural" do Modernismo no Ceará. Em 1929, circulam os dois únicos números de "Maracajá", um suplemento literário do jornal "O Povo", que trazia estampada uma clara identificação: "Folha modernista do Ceará". Tomando para título o designativo do conhecido gato silvestre, esta folha se integrava ao espírito nativista inicial do Modernismo brasileiro.



Após "Maracajá", em 1931, vem a público "Cipó de fogo", título de folha independente também consonante com o espírito modernista que, entretanto, fica apenas no primeiro número. Na fase inicial do Modernismo cearense, compreendida esta como a dos anos 1920 e 1930, destacam-se os escritores Jáder de Carvalho, Franklin Nascimento, Sidney Neto, Mozart Firmeza, Filgueiras Lima, Demócrito Rocha, Heitor Marçal, Martins d´Alvarez e Rachel de Queiroz.



Na segunda fase, que compreende os anos 40 e 50, tendo por balizas históricas a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria, prepondera o Grupo Clã, que agregou nomes importantes como os de Joaquim Alves, Fran Martins, Antonio Girão Barroso, João Clímaco Bezerra, Moreira Campos, Milton Dias, José Alcides Pinto, Francisco Carvalho, Iranildo Sampaio, Cid Carvalho, entre outros.



A década de 1960 assiste ao surgimento do Grupo SIN de Literatura, que mesmo de existência breve, produziu substancialmente e renovou sobretudo a poesia, o ensaio e a crítica. Integraram o SIN, entre outros: Barroso Gomes, Horácio Dídimo, Linhares Filho,Barros Pinho, Roberto Pontes, Rogério Bessa, Pedro Lyra, Leda Maria, Yeda Estergilda, Carlos Alberto Bessa.



De 1970 a 1980 destacaram-se escritores como Francisco Sobreira, Caetano Ximenes Aragão, Gilmar de Carvalho, Nilto Maciel, Airton Monte, Batista de Lima, José Hélder de Souza, Mario Pontes, Ana Miranda, Dimas Macedo, Audifax Rios, Carlos Augusto Viana e Virgílio Maia.



De 1990 até o presente há que registrar as presenças de Jorge Pieiro, Ronaldo Correia de Brito, Dimas Carvalho, Paulo de Tarso Pardal, Pedro Salgueiro, Astolfo Lima Sandy, Rinaldo de Fernandes, Tércia Montenegro, Luciano Bonfim, Natalício Barroso, Rodrigo Marques, Ilo Barroso.



Essa nominata incompleta, em razão dos limites deste artigo, seria indeclinável se não houvesse ocorrido a Semana de Arte Moderna de 1922, cujo espírito de ruptura já se achava latente entre nós, conforme antes assinalado.



Nossa força inventiva continua a manar dos precursores e dos realizadores da Semana de Arte de 1922, porque vivemos uma busca constante de identidade, sabedores que somos hoje de que "só há espaço na comunidade universal para o povo que se souber profundamente arraigado em seu espírito" fundador.





Editora Verdes Mares Ltda.



Praça da Imprensa, S/N. Bairro: Dionísio Torres



Fone: (85) 3266.9999

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Fatos Históricos, Políticos, Sociais, Artísticos e Literários

Em 27 de fevereiro de 1917 - Revolução Burguesa dos mencheviques na Rússia é vitoriosa.





Dexter Gordon

Em 27 de fevereiro de 1923 - Nasceu Dexter Gordon, músico de jazz norte-americano


Em 27 de fevereiro de 1932 - Nasceu a atriz britânica Elizaeth Taylor (falecida em março de 2011







Em 27 de fevereiro de 1933 - Incendio no Parlamento alemão, provocado por Hitler, na intenção de culpar os comunistas.


Em 27 de fevereiro de 1937 - Reportagens estrangeiras fala em 1937 haviam presos 17 mil extremistas no Brasil com destaque dos presos políticos.


Em 27 de fevereiro de 1950 - Chiang Kay Chek, é eleito presidente da China


Beto Barbosa

Em 27 de fevereiro de 1955 - Nasceu o cantor brasileiro Beto Barbosa


Em 27 de fevereiro de 1956 - Nasceu o escritor e dirigente comunista Valter de Lucca, Secratário Político do Diretório do PCB Partido Comunista Brasileiro de São José do Rio Preto-SP.


Lauriberto José Reyes

Em 27 de fevereiro de 1972 -  Às 17 horas, na Rua Serra do Botucatu em Tatuapé-SP, agente do DOI/CODI, chefiados pelo torturador conhecido por José assassinaram a sangue frio, Lauriberto José Reyes e Alexandre José Ibilsen Voerões.

Lauriberto era Membro da ALN Ação Libertadora Nacional, anteriormente do Movimento de Libertação Popular - Molipo, estudante  da Escola Politécnica da USP e membro da Comissão Executiva da União Nacional dos Estudantes no Brasil - UNE.

Alexandre José Ibsen Varões (chileno de Nascimento) Membro da ALN e da Molipo, estudante do Colegio de Aplicação.


Em 27 de fevereiro de 1977 - faleceu em Conacri(Guiné) Diallo Telli, primeiro secretário geral, Organização da Unidade Africana (OUA).


Em 27 de fevereiro de 1995 - O chefe da Máfia Salvatore (Toto) Rina e mais 47 suspeitos foram presos e vão a julgamentos acusados de assassinatos de 48 pessoas na Sicília.

Biblioteca do IEB - USP recebe acervo da professora Marlyse Meyer



Biblioteca do IEB-USP recebe acervo da professora Marlyse Meyer
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Estará disponível em breve, na Biblioteca do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP), o acervo de 4,5 mil livros e revistas doado pela família de Marlyse Meyer, que foi professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Os volumes têm como tema literatura brasileira, francesa e latino-americana, teoria literária, cultura popular brasileira, teatro, sociologia e antropologia.




O material se somará aos 182 mil livros, revistas, teses, periódicos e partituras que já fazem parte de um dos principais acervos do país sobre assuntos brasileiros.



Segundo Maria Itália Causin, supervisora técnica da biblioteca, a iniciativa da doação partiu de Aline Meyer, filha da professora que morreu em 2010. Em julho de 2011, o material foi recebido e passou por uma comissão para ser avaliado o estado de conservação e o interesse em relação ao conteúdo.



Nos meses de dezembro de 2011 e janeiro de 2012, os volumes passaram por um processo de higienização e, em seguida, pelas etapas de tombamento, inventário e catalogação.



Agora, ainda sem prazo de término, a coleção vai ser submetida a um processamento técnico, para então ser incluída no sistema de bibliotecas da USP e no catálogo eletrônico do IEB.



Outra coleção que acaba de chegar ao IEB e está na mesma situação é a do geógrafo Milton Santos, também professor titular da FFLCH.



Mais informações www.ieb.usp.br



Agência FAPESP





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Museu do Ceará



FOTOS: FABIANE DE PAULA


Pelos corredores do local passam, todos os dias, estudantes, pesquisadores e turistas

Inaugurado há 80 anos, o local é considerado um dos mais importantes pontos de difusão da história local



Ele já é um senhor de idade. Aos 80 anos, carrega tanto os problemas físicos quanto o rico conteúdo típico das idades avançadas. Entre problemas e conquistas, o Museu do Ceará segue como uma das instituições mais importantes para a preservação e difusão da história do Estado.



Primeiro museu criado pelo governo estadual, hoje seu acervo chega a quase 15 mil peças, entre roupas, mobília, pinturas, fotografias, moedas, documentos, armas, objetos religiosos e outros artefatos - com destaque para as coleções de arqueologia e antropologia indígena e, claro, para o corpo empalhado do famoso Bode Ioiô.



Sede do Sistema Estadual de Museus (SEM-CE), o Museu do Ceará é um dos mais ativos, tanto pela programação de mostras temporárias e permanentes quanto de formação - desde a visitação de estudantes até a formação de professores e profissionais da área de museologia, além da manutenção de uma linha de publicações.



O impacto, porém, ocorre mesmo antes de entrar, no encontro com a fachada do Palacete Senador Alencar, que abriga o Museu. Construído em 1871 para sediar a Assembleia Provincial do Estado, o prédio destaca-se pela imponência das colunas, janelas e da escadaria interna, em estilo neoclássico.



O Palacete integra o conjunto de edificações do Centro histórico de Fortaleza, formado pela Igreja do Rosário, a Praça General Tibúrcio e o Palácio da Luz, entre outras. Antes de acolher o Museu do Ceará, foi ocupado pelo Liceu do Ceará, o Fórum, o Tribunal Regional Eleitoral, a Faculdade de Direito, a Biblioteca Pública, o Instituto do Ceará e a Academia Cearense de Letras.



Início



À época denominado Museu Histórico do Ceará, a instituição foi criada em 3 de fevereiro de 1932, pelo decreto nº 479, como parte do Arquivo Público do Estado. Seu organizador e primeiro diretor foi o historiador Eusébio Néri Alves de Sousa, responsável pelo cargo até 1942.



A inauguração e abertura ao público, no entanto, aconteceram apenas no ano seguinte, quando passou a funcionar em um prédio na esquina das ruas 24 de Maio e Liberato Barroso. Em meados do ano seguinte, foi transferido para a Avenida Alberto Nepomuceno (vizinho à Praça da Sé, onde permaneceu até 1957). Até chegar ao Palacete, em 1990, o Museu do Ceará passou por outros três endereços.



Desde a gestão de Eusébio de Sousa - quando as propostas de exposições não seguiam recortes temáticos ou de espaço e tempo, mas resumiam-se à reunião tipológica de objetos - o trabalho desenvolvido no Museu avançou muito. Após ser desvinculado do Arquivo Público, foi filiado ainda ao Instituto do Ceará, quando é revestido de um caráter regional, com o objetivo de documentar fatos do Nordeste e, em especial, do Ceará.



O responsável pela transformação foi Raimundo Girão, que futuramente ocuparia a cadeira de diretor do Museu. Entre as mudanças empreendidas, ele incorporou ao acervo objetos do Museu do Instituto do Ceará, entre os quais a coleção Thomaz Pompeu Sobrinho. Também adquiriu a colação de antropologia indígena pertencente ao Museu Rocha. O trabalho de reorganização teve a importante colaboração da historiadora Valdelice Girão. Nesse momento, acontece o primeiro tombamento do acervo, em 1959.



Em 1966, o Museu passa a integrar a recém-criada Secretaria da Cultura do Estado. Cinco anos depois, a instituição é assumida pelo professor Osmírio de Oliveira Barreto, quando a relação com a comunidade foi substancialmente melhorada, através de projeto que levava apresentações do Museu para as escolas da Capital e Região Metropolitana de Fortaleza.



Entre as décadas de 90 e 2000, acontecem novas conquistas importantes para o Museu do Ceará, sob as gestões de diferentes diretores. Valéria Laena, por exemplo, iniciou um programa de restauração de algumas coleções e objetos do acervo. À época, também são criadas a Associação dos Amigos do Museu do Ceará, a reserva técnica (com peças do acervo que são revezadas em exposições) e o núcleo educativo.



Já a historiadora Berenice Abreu teve uma administração voltada a ações de cunho social, com trabalhos envolvendo crianças de rua e cursos de montagem de exposições e de formação de guias em bairros da periferia.



A partir de 2000, o historiador Régis Lopes assume a direção do Museu, marcada por um programa integrado de atividades, entre elas a criação do laboratório de Museu e memória na História Social, pesquisas sobre o acervo e a montagem da exposição de longa duração "Ceará: história no plural".



Hoje uma das principais exibições permanentes do Museu, é composta por oito módulos temáticos, a exemplo de "Memórias do Museu" (com documentos sobre a trajetória da instituição); "Artes da escrita" (com peças relacionadas a escritores cearenses); "Escravidão e abolicionismo"; "Padre Cícero: mito e rito"; "Caldeirão: fé e trabalho" (com objetos que pertenceram ao líder da comunidade religiosa, beato José Lourenço); e "Fortaleza: imagens da cidade" (onde fica o tal Bode Ioiô).



Outro destaque oriundo da gestão de Lopes foi o Memorial Frei Tito, inaugurado em 2002, com objetos e documentos relacionados à vida do religioso que lutou contra o Regime Militar.



Em 2008, a historiadora Cristina Rodrigues Holanda assume o cargo, de cujo trabalho destaca-se a realização de novas exposições e a aproximação de reivindicações de grupos étnicos e tradicionais - estratégia que rendeu publicações específicas, seminários e a reorganização de um módulo sobre povos indígenas, pertencente à exposição de longa duração "Ceará: história no plural".



ADRIANA MARTINS

Em Portugal a luta contra o abandono escolar










Associações do Seixal lutam contra abandono escolar





As associações do Seixal, Khapaz, Tutores de Bairro e Vida Emprego, apresentaram os seus programas que visam combater o abandono e insucesso escolar e o desemprego juvenil, através da inclusão social. “O Seixal aposta fortemente nos jovens” explicou Nuno Torrado, coordenador do gabinete da juventude na Câmara Municipal do Sexal, durante a apresentação dos projectos no âmbito do programa ViaEuropa.









Mónica Lopes, porta-voz do Balcão Vida Emprego, explica que “além dos serviços de apoio logístico às pessoas desempregadas e das bolsas de emprego, a associação promove cursos de informática e voluntariado”. Para Mónica Lopes, estas iniciativas, que tem a associação RATO como parceira, “são mais uma resposta para, que os jovens da Arrentela, possam alargar os seus conhecimentos e criar oportunidades de emprego tanto em Portugal como no estrangeiro”.







A população da Arrentela conta ainda com os projectos da associação Khapaz, para jovens afro descendentes, que “apesar de se focar em jovens até aos 24 anos apoia a comunidade em geral” explica Joelma Santos, dinamizadora cultural da associação. “A associação teve as suas origens na dança hip-hop, com o intuito de dar a conhecer aos jovens a sua cultura e os ajudar a encontrar um caminho que os afastasse da rua,” referiu Corsino Fortes, membro da direcção da Khapaz, e explica que “hoje a associação tem uma forte intervenção comunitária.” Corsino Fortes conclui que “a ideia é mostrar bons exemplos de outros jovens para apoiar o combate contra abandono e insucesso escolar e o banditismo”







A mesma filosofia de utilizar jovens locais mais velhos como exemplo, tem a associação Tutores de Bairro. Sofia Peyssonneau, coordenadora do projecto, refere que “ter a participação de jovens que já estiveram no projecto a trabalhar em atividades concretas com os mais novos é essencial para o sucesso dos programas de apoio ao estudo e de combate contra o abandono escolar.” A associação, que atua essencialmente na Quinta da Princesa, também “criou cursos, conjuntamente com o centro de formação profissional, para os jovens que já abandonaram a escola e procuram uma especialização para poder entrar no mercado de trabalho” explicou Sofia Peyssonneau.







O programa da actividade ViaEuropa prevê, que durante o dia de hoje, as sete associações, La Vibria de Espanha, Intercultura de França, CCPL Luxemburgo, Link Itália, ATDR da Roménia, Students' Club Eslovénia e a Youth against AIDS da Letónia, vão analisar os programas apresentados pelas coletividades portuguesas e criar projetos que visam dinamizar e criar alternativas aos já existentes. “As sete associações vão ajudar a procurar soluções para o desemprego juvenil e de que forma o programa Juventude em Acção pode ser utilizado como instrumento de inclusão social” explicou Nuno Carvalho da associação RATO.







Neuza Campina Padrão - 24-02-2012 14:49











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domingo, 26 de fevereiro de 2012

santa sensual

Com a mesma voz
rouca e melodiosa
ela acaricia-me os ouvidos
domina a linguagem
ainda faz cenas
que a censuara
não permite descrevê-las,

és uma santa
emaranhada
pela culpa de ser casada
e a leitura
de entretê-la
na forma erotica
de orar de cada dia.




Manoel Messias Pereira

poeta e cronista

São José do Rio Preto-SP - B

Na Roça

O perfume exalava da flor amarela
daquela árvore onde se embevecia
com o cantar dos pássaros, da cotovia
misturando fragância de pé de canela

O sol já invadia pela janela
escancarada que se oferecia
naquele momento a gente sentia
a natureza! Que coisa mais bela!

O gado mugia e se movimentava
e ali presente o retireiro
os calonos partiam e caminhavam

A porcada na lama e na poça
as galinhas ciscavam no terreiro
Tudo é natureza! Tudo é roça!



Jayme Signorini

poeta, cronista  e contista

São José do Rio Preto-SP


Varanda

Na varanda
do destino
Construí
um sonho de criança
Enquanto o vento
balançava
as vigas do tempo
o sonho foi sumindo.



Laercio Rosa Vieira

poeta

natural de Orizona-GO

Fatos Históricos, Políticos, Sociais, Artísticos e Literários

Victor Hugo
Em 26 de fevereiro de 1802 - Nasceu Victor Hugo, escritor francês, natural de Besançon, novelista, dramaturgo, ensaista, político, ativista . Autor de "Les Miserables", Concunda de Notre Dame.

Em 26 de fevereiro de 1868 - Nasceu o presidente do Brasil, Venceslau Brás


Em 26 de fevereiro de 1937 - Julgamento de Luis Carlos Prestes, no Superior Tribunal Militar por crime de deserção.


Em 26 de fevereiro de 1947 - O PCB organiza a Festa da Vitória: Comício com 80 mil pessoas na Praia Russel para comemorar o sucesso eleitoral.


Em 26 de fevereiro de 1961 - O presidente brasileiro Jânio Quadros, é pressionado por emissários americanos, para que o Brasil aprove ação militar contra Cuba.


Erykah Badu


Em 26 de fevereiro de 1971 - Nasceu a cantora estadunidense Erykah Badu


Corinne Bailey Rae


Em 26 de fevereiro de 1979 - Nasceu a cantora inglesa Corinne Bailey Rae


Em 26 de fevereiro de 1980 - Faleceu aos 72 anos de idade, Ahmed Shukeiri na cidade de Omã-Jordânia, um dos fundadores e o primeiro presidente da Organização de Libertação da Palestina - OLP.


Em 26 de fevereiro de de 1993 - Bomba explode n Word Trade Center em Mahattan, nos Estados Unidos, deixando 7 mortos e 400 feridos.


Em 26 de fevereiro de 2004 - O presidente macedônio Boris Trajkovski, morre num acidente aéreo na Bósnia-Hezergovínia


Vôo da Minerva





Crédito: www.boitempo.com



ENTREVISTA



Antonio Carlos Mazzeo / O Vôo de Minerva – A construção da política, do igualitarismo e da democracia no Ocidente antigo



1- O senador Cristovam Buarque (PDT), diante dos recentes escândalos de corrupção e uso indevido de verbas por deputados e senadores, insinuou em entrevista que um plebiscito para fechar o Congresso poderia ser levado adiante por clamor popular. O Congresso, de acordo com o pensamento político grego, é essencial para a manutenção da democracia?



No meu ponto de vista esta é uma afirmação perigosa e inconsequente, pois indica uma profunda inconsistência teórico-política e demonstra uma grande incompreensão do que é atuar nas contradições onto-negativas da política e qual o papel da democracia, num Estado de cariz burguês. No atual momento político do país o Congresso garante o funcionamento da vida institucional democrática e dos direitos. Se não há uma correlação de forças onde os trabalhadores possam ter hegemonia para construir uma outra forma societal, uma proposta como esta pressupõe intrinsecamente um golpe de Estado. Isso deve ser duramente repudiado.



A questão está no que devemos fazer para avançar na representatividade e na legitimidade de nossos parlamentares. Teríamos que pensar em ações e medidas políticas que garantissem o avanço de uma democracia substantiva, a partir de uma ampla participação popular nos processos decisórios do país e onde as eleições fossem o resultado de uma efetiva presença dos trabalhadores na vida nacional. Devemos criar condições para ampliar os espaços na midia para os debates das questões de interesse nacional, deveríamos optar pelo financiamento público das campanhas eleitorais e reforçar o amplo debate das propostas programáticas dos partidos políticos. Se a votação fosse nos partidos em listas partidárias flexíveis, reforçando os compromissos programáticos a representação parlamentar sairia muito mais fortalecida e legitimada. Devemos pensar numa reforma política de fundo, optar pelo unicameralismo, acabar com existência anacrônica do senado e reforçar a Câmara dos Deputados, dando a ela qualidade, fortalecendo o elemento programático do processo eleitoral.



2- Em que ponto o conceito de democracia que surge com os gregos ainda se assemelha ao conceito de democracia que temos hoje? E em que ponto eles divergem?



O ser-precisamente-assim dos fenômenos histórico-sociais, como dizia Lukács, não é meramente um problema de antíteses metodológicas, mas o resultado de uma indivisível e contraditória unidade dialética, do modo como se apresentam as contradições entre as forças sócioeconômicas que operam em um determinado momento histórico. Então, mesmo que possam haver identidades entre o conceito antigo e o contemporâneo de democracia, eles são produtos de fenômenos historico-ontológicos diversos. A democracia ateniense resultou de uma sociedade agrária e do trabalho escravo que emancipou o extrato dirigente da pólis e possibilitou a ele pensar e a fazer política. Daí o forte vínculo entre escravidão e democracia. Também há o fato dessa democracia ser restrita aos que eram considerados cidadãos: os homens e excluia os escravos, as mulheres, as crianças e os estrangeiros. A democracia contemporânea, por sua vez, é mais genérica e mais ampla, resultado da Revolução Burguesa e da sociedade civil, definida por Marx como burgerliche Geselschaft – sociedade burguesa. Por outro lado, o que há de semelhante entre as duas democracias é que ambas regem a desigualdade, são produtos de sociedades desiguais. Os processos de participação popular foram resultado de pressões populares; na Grécia, do campesinato, e no capitalismo moderno, ela é produto das relações sociais capitalistas, das lutas do proletariado e do conjunto dos trabalhadores. A democracia cria no plano formal uma igualdade perante o Estado e às leis. No plano legal ou abstrato todos as pessoas são iguais. Mas no plano concreto das relações sociais, são desiguais. Também no Mundo Antigo acontecia isso: os camponeses podiam votar na Agorá, mas na realidade concreta, da inserção social e na produção, havia desigualdade, camponeses com mais ou menos dinheiro e poderosas oligarquias. No capitalismo, a democracia aparece como resultado de um “céu político” construído pelo Estado burguês onde também ali, há uma igualdade genérica, mas onde no plano das relações sociais engendradas pela divisão social do trabalho e pelas relações sociais de produção, o indivíduo aparece como cidadão de vida pública e burguês ou proletário de vida privada.



3- É possível dizer por que o conceito de democracia surge naquele momento na Grécia? E por que vai ser um conceito com tamanha difusão e longevidade?



Havia uma intensa e permanente luta política, a stasis. Antes disso, desde a emergência do campesinato como forca política e econômica, no período arcaico, essa classe pressiona a aristocracia a ponto de derrubar a monarquia. E desta emergência camponesa surgem novas formas de representação política. Desse processo surgem as tiranias (que não tinham o sentido dos governos opressores de hoje) que preparam a Grécia, particularmente Atenas, para a presença permanente dos camponeses na vida política e social da pólis. Nesses governos ocorrem várias mudanças importantes, tanto no plano econômico como no social, entre elas a forma de organização do exército que passa de aristocrático para “popular”, surge o exército dos hoplitas, os camponeses que participam militarmente do exército da pólis, desde que possam comprar suas armas, seu escudo, seu capacete e suas coraças de guerra e que lutam coletivamente. Com esta forma de organização, reforça-se a noção de igualdade, de solidariedade e de isonomia, a idéia de “espírito comunal” Mas a democracia antiga só pode eclodir quando o campesinato perde força econômica, a escravidão emerge como elemento central e a pólis ateniense torna-se uma talassocracia imperialista. Assim, pólis passa a ter um caráter aristocrático mais forte, centrada nos que possuem escravos. Quando a burguesia aparece como classe ela vai buscar referências na história, em sociedades onde existiram formas sociais desiguais, reguladas por leis isonômicas. A burguesia, quando volta ao passado e “olha” a experiência dos antigos gregos, não copia, mas recria outra democracia, mais adaptada aos seus interesses.



Mas essa democracia também se esfuma na vida material já que o ser-precisamente-assim do capitalismo não é igualitário. E aí, qualquer ilusão idealista de identidade com a experiência histórica vivida na antiguidade cai por terra exatamente no plano da realidade, pois jamais no capitalismo o trabalhador foi dono dos meios de produção, como o eram os camponeses atenienses, quer dizer, o ser social que emerge da estrutura capitalista é aquele que vende sua força de trabalho ao dono dos meios de produção e não pode ser o camponês da pólis que troca suas mercadorias com a liberdade igualitária.



4- A noção de igualitarismo surge na Grécia clássica, com a Filosofia?



O “sentimento igualitário” é tão antigo quanto o homem. Mas no sentido ocidental o igualitarismo surge na Grécia arcaica, por volta do século VIII a.C. e vai até o século V, na Grécia clássica, quando então subordina-se à democracia. O igualitarismo tem um vínculo estreito com o pensamento filosófico jônio. Os jônios projetam a pólis no universo, isto é, o universo é entendido a partir dos elementos igualitários presentes na pólis. Verificamos esse vínculo no pensamento de Anaximandro, para quem a “substância única” não encontra-se na água nem no ar, mas no infinito, na qualidade infinita da matéria, da qual todas as coisas são originárias e na qual tudo se dissolve quando o cíclo estabelecido por uma lei necessia termina. Para esse filósofo, tal princípio que envolve e governa todas as coias é imortal e indestrutível. Para esse pensador o universo é animado por um eterno movimento. Os elementos físicos que o compõem são igualitários, nenhum é maior ou mais importante que o outro, sendo que esses elementos se equilibram contraditoriamente: molhado e seco, escuro e claro, frio e quente. Quer dizer, no plano filosófico pensava-se o universo de acordo com o que ocorria na pólis - o igualitarismo surgido das lutas sociais.



5- O igualitarismo, como pensado pelos gregos, só vale para o contexto social da época ou pode ser aplicado à nossa sociedade?



A noção de igualitarismo sempre existiu, mas com formas ideo-históricas diferentes. Mesmo quando pensamos o mundo na remota antiguidade, por exemplo, o das sociedades palaciais, observamos tentativas de explicar o mundo a partir do igualitarismo, ainda que mítico, permeado por uma consciência mítico-religiosa, onde o protagonismo desse igualitarismo não era dos homens mas dos deuses em favor dos homens. Esse tipo de consciência de si existente nessas sociedades ditas palaciais, expressava suas formas sócio-metabólicas de reprodução da vida e de apreesão da realidade. Essas eram sociedades camponesas, tributárias a um tipo de Estado onde um rei-deus fazia o papel de intermediação entre os homens e a deidade. Nesse sentido, a própria existência de uma sociedade camponesa colocava em sua forma de coesão social, o princípio igualitário. Mas havia a questão da legitimidade do grupo dirigente, em geral uma nobreza que vivia dos tributos sociais. De modo que era socialmente necessário existir uma forma ideo-societal que colocasse a perspectiva da igualdade. Se pegarmos por exemplo, o conjunto de textos sagrados que formam a Torá hebráica/ Velho Testamento dos cristãos, verificamos a expressão de um Deus que toma como iguais todos os judeus, o “povo eleito”. Já com o helenismo, desenvolve-se uma noção de igualitarismo mais universalizante, como ocorre no cristianismo – em que um Deus salvador (através da imolação de seu filho) transforma toda a humanidade em “povo eleito”, redimindo-a coletivamente.



Já o igualitarismo resultante da Revolução Burguesa será baseado tanto na concepção laica e radical, em geral de origem pequeno-burguesa, como na dos núcleos de proletários e de camponeses. Se pensarmos na Revolução Inglesa de Cromwell, por exemplo, verificamos a presença de um núcleo igualitarista em seu exército revolucionário. Portanto, o igualitarismo contemporâneo nasce com a Revolução Burguesa e esse igualitarismo vai dar origem inclusive ao socialismo e ao comunismo.



6- O senhor tenta mostrar no livro “O Vôo de Minerva” como a política aparece como fator de mediação e ordenação da vida social no mundo antigo. Ela ainda tem este papel hoje? De que maneira?



Sim. Como vimos, a política resulta da luta social e da desigualdade. A política só pode nascer porque surge o igualitarismo. Ela regula as lutas sociais, é uma forma de organizar a desigualdade e o conflito. A própria explicação mítica do seu surgimento nos da essa dimensão, a partir do mito de Prometeu que rouba o fogo e o conhecimento dos deuses para dar aos homens e é severamente punido por Zeus. Ele é acorrentado a uma montanha nos confins do universo onde todos os dias um abutre devora seu fígado. Mas ao mesmo tempo em que pune Prometeu por ter amado os homens como deuses, Zeus olha a humanidade e sabe que é preciso dar condições para que ela se regule, já que tendo o conhecimento e a técnica pode destruir a si mesma. Zeus então dá aos homens a política, para que possam regular os conflitos e as desigualdades.



Também no mundo contemporâneo a política regula a desigualdade e controla os conflitos, e há nela mais elementos de controle do que de emancipação. Regula a desigualdade para manter e não para romper a estrutura da burgerliche Geselschaft. Se, de um lado, a política joga um papel “positivo” na emancipação institucional da sociedade, na emancipação política dos homens, por outro lado ela encontra seu limite na sua própria forma, porque a política expressa o plano da cidadania (também ela burguesa), e que por seu ser-precisamente-assim, é incompatível com um projeto que vá para além daquele presente na sociabilidade burguesa.



7- O senhor escreve, no livro, que para Sócrates e Platão, a democracia destrói o igualitarismo. De que forma isto ocorreria?



A democracia tem mais condição de regular a desigualdade, então incorpora o igualitarismo em seu interior. A democracia ateniense realiza uma “inclusão excludente”, exclui os escravos, de um lado e de outro, subordinam os camponeses às oligarquias. Nesse sentido, a democracia da Grécia Antiga é altamente manipulatória. Platão no Górgias é radical em vincular a degradação da sociedade ateniense à democracia e por meio das “palavras” de Sócrates acusa Péricles como o responsável pela transformação dos atenienses em pessoas ávidas, ociosas e corruptas.



No caso da democracia moderna, ela incorpora o igualitarismo, mas o coloca no plano abstrato. Na democracia da burgerliche Geselschaft, a igualdade de direitos – inclusive a da distribuição dos meios de consumo, é, em todo momento, um corolário da distribuição das próprias condições de produção, quer dizer, quando o ser-humano esta apartado (alienado) de seu próprio produto, resultado de sua praxis essencial, ele não pratica o igual, mas sim um “tipo” de igualitarismo que aliena o homem de si. A essência humana não é uma abstração inerente ao indivíduo singular, mas sim o conjunto das relações sociais, que na sociabilidade burguesa, aparece fragmentada. A democracia na sociedade capitalista é a expressão superestrutural das próprias formas materiais que reproduzem a sociabilidade burguesa. No capitalismo há uma “socialização” intrínseca que é posta por um processo produtivo realizado socialmente. Mas esta produção social se dá no plano de uma produção genérica, já que a apropriação do que é produzido socialmente não é realizada plenamente pelos que produzem a riqueza, quer dizer, pelos trabalhadores. Isso significa dizer que no plano material da vida, o trabalhador recebe apenas parte e, diga-se, a menor parte, do que produziu socialmente. Produz-se desse modo, a separação entre a vida genérica e a vida material não somente de cada indivíduo, mas também da totalidade dos homens. Ora, vemos aí, que nessa fragmentação ocorre a separação entre trabalho e riqueza. Grosso modo, podemos dizer que essa é a base material da superestrutura posta pela democracia da burgerliche Geselschaft. Também essa é uma democracia altamente manipulatória.



8- Há alguma relação entre o pensamento de Sócrates e Platão de que a democracia destrói o igualitarismo e os velhos embates entre capitalistas e comunistas, de que o capitalismo não permite a igualdade e o comunismo impossibilita a liberdade (ligada à democracia)?



Sócrates e Platão, tinham como referências as velhas leis arcaicas que regulavam a sociedade. Sócrates dizia que a democracia estava corrompendo os valores citadinos. Para ele, os cidadãos haviam perdido a noção do “espírito coletivo” da pólis do qual todos faziam parte. Na visão socrático-platônica, a virtude era produto da vida comunitária, passada pelo convívio social e pela apreensão dos conteúdos emanados pelo “espírito da pólis”. Nesse sentido, a virtude jamais poderia ser vendida ou comprada. Daí, na visão socrática, serem os sofistas, filósofos errantes que vendiam seus conhecimentos aos filhos das famílhas abastadas, a síntese da decadência, como evidencia Platão no Protágoras, quando Sócrates chama os sofistas de vendedores varejistas de mercadorias que alimentam a alma.



E é esse o sentido de sua defesa, quando é acusado de corromper a juventude. Sócrates vai dizer, em seu julgamento, que nunca vendeu seus conhecimentos, mas sempre os deu como obrigação de alguém que tem consciência de ser preciso transmitir os fundamentos que regem a vida coletiva. Nessa visão, vender o conhecimento era vender a própria virtude. Aí reside a contraposição socrática do homem coletivo contra o homem privado, que emerge na democracia. Na República, Platão irá dizer que todos os males provinham do comércio e da propriedade privada. Para esses filósofos da pólis, a educação deveria ser a Paidéia pedagógica de um modelo civilizatório, onde o núcleo seria a construção de uma política ética.



Quanto ao embate sobre democracia, capitalismo e comunismo, podemos dizer que se inexistem “identidades” reais entre a visão desses filósofos e a dos críticos da sociabilidade burguesa. Marx enfatizou a impossibilidade de se analisar as sociedades humanas fora de seu escopo histórico-concreto. O capitalismo é uma forma econômico-social baseada na produção de mercadorias, que tem como pressuposto o trabalho livre e assalariado e a propriedade privada dos meios de produção. Além disso, a condição do trabalho livre e o alto grau da individualidade da pessoa, as relações sociais engendradas pela sociabilidade capitalista, a sofisticação científica e técnica dessa sociabilidade, irão permitir o afloramento de uma consciência jamais vista nas formas sociais anteriores. Somente no capitalismo a crítica social aparece junto com uma forma de consciência que possibilita a construção de uma proposta alternativa à socialidade burguesa, que vem com as idéias socialistas e comunistas.



O capitalismo apresenta limites para a liberdade em seus aspectos nodais: a propriedade privada dos meios de produção e a expropriação da mais-valia do trabalhador. Essa condição gera uma forma superestrutural que expressa essa determinação material de reprodução de si do capitalismo, que são as formas de representação que emanam da sociabilidade burguesa (democracia, direitos e instituições, etc), e que constituem os elementos regulatórios que fazem parte de seu aparelho ideo-político. Daí, a crítica de Marx ser nucleada na necessidade de coletivização dos meios de produção que garantiria a mais ampla liberdade, pois além desses meios de produção, (incluindo-se aí a propriedade coletiva da terra) e da socialização do produto do trabalho de todos, a sociedade comunista estinguiria toda a estrutura do Estado, trazendo-o para o meio da sociedade, quer dizer, a gestão social passaria para a própria sociedade. Ressaltemos que a humanidade não vivenciou ainda a experiência do comunismo. O que tivemos até hoje foram experiências socialistas que encontraram um enorme gama de problemas em sua aplicação, um deles, foi exatamente a hipertrofia do aparelho estatal, dadas as condições histórias dessas experiências e que, pelos limites de uma entrevista, não poderemos aprofundar.



De qualquer modo, entendo que mesmo com seus graves problemas, sendo que um dos maiores foi a restrição de liberdades civis, essas experiências apresentaram grandes positividades, no âmbito de conquistas sociais que não podemos desconsiderar, se quisermos pensar ainda o futuro do projeto do socialismo e do comunismo.



10- No livro, o senhor defende a hipótese de que o ‘Ocidente antigo’ é resultado de um longo processo de absorção da cultura oriental. Que conceitos (ou que comportamentos) orientais foram importados pelo ‘Ocidente antigo’? De que sociedades, em especial, veio esta influência?



O conceito inicial é de que o Oriente, até por ter construído as primeiras formas de civilização, sempre manteve uma estreita relação com o Ocidente. Relação interativa e permanente, na medida em que as sociedades palaciais, no período do bronze, surgem e se relacionam com o Ocidente e o influenciam. Se pensarmos naquele período, as sociedades mais importantes eram a egípicia e a hitita, e estas sociedades hegemônicas criaram um “modelo” de sociabilidade que irá influenciar também o Ocidente. Por exemplo, Creta é o resultado direto dessa forma societal posta pelo Oriente, assemelha-se às sociedades palaciais orientais, sem ter seu brilho e luxo. Através do mar Mediterrâneo, constrói-se uma integração onde o Ocidente absorve a civilização oriental sintetizando uma cultura euro-mediterranea, no que chamo, seguindo as formulações pioneiras de Gordon Childe, de longo processo de mediterranização da cultura oriental. Essa interação dialética permanente nunca deixará de existir, ao menos até os finais da Idade Média. Há um vínculo umbilical entre Ocidente e Oriente. O que é o helenismo a não ser esse processo de permanente integração? A cultura Ocidental vai para o Oriente e quando retorna ao Ocidente, como síntese, enquanto ruptura e continuidade, traz em seu bojo, e pelo Mediterrâneo, o cristianismo



11- A volta ao mundo político grego foi a forma que o senhor encontrou de embasar uma pesquisa maior, que pretende entender a burguesia que surge no século XVI. Que relação é esta que o senhor foi buscar?



Fui buscar as origens da democracia e do igualitarismo, como se desenvolveram, quais foram suas expressões históricas e intelectuais e, mais tarde, como a burguesia revisita essa experiência e cria uma nova expressão cultural tipicamente burguesa.



Estou começando a escrever um livro sobre o conceito de Virtus como fundamento do igualitarismo burguês, exatamente com produto histórico da construção de uma cosmologia burguesa, mas ainda vai levar um tempinho.



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Nelson Mandela foi hospitalizado



África do Sul: Nelson Mandela é hospitalizado

Líder sofreu fortes dores abdominais



Fontes da presidência informam que líder passa bem



SIPHIWE SIBEKO / POOL / AFP

Da Redação, com AFP noticias@band.com.br



O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, de 93 anos, foi hospitalizado neste sábado por recomendação médica devido a uma prolongada dor abdominal, mas se encontra bem, segundo fontes da presidência.







"O presidente Jacob Zuma confirma que o ex-presidente Nelson Mandela foi hospitalizado hoje", assinala o comunicado.







"Madiba tem um problema abdominal há tempos e os médicos acham que é preciso uma assistência especializada", acrescenta o texto.







A saúde do líder da luta contra o Apartheid, conhecido pelo apelido carinhoso de Madiba, já criou temores no país quando ele foi hospitalizado no início do ano passado devido a uma aguda infecção respiratória.







Em 1993, um ano antes de ser eleito presidente e virar o primeiro chefe de Estado negro depois das primeiras eleições multirraciais na África do Sul, Mandela recebeu o Prêmio Nobel da Paz.





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Morreu porque era negro

jornalista - Marcos Cardoso

Morreu porque era negro

“Alô, é do IML? Temos um suspeito aqui...”

A charge do genial Edidelson no Jornal do Dia de quarta-feira resume com dolorosa ironia a tragédia ocorrida no Shopping Jardins no fim de semana: um homem é espancado e estrangulado por dois seguranças enquanto o chefe deles fala ao celular: “Alô, é do IML? Temos um suspeito aqui...” O tal “suspeito” do desenho de humor é um homem negro.



No cruel mundo real, a vítima foi o motorista Leidson Reis, negro. Ele sofreu uma fratura na coluna vertebral, altura da cervical, provavelmente após estrangulamento por uma “gravata” aplicada por um dos brutamontes que o agrediram. Já foi entregue à polícia morto. E, simples assim, tudo ficou nisso. Ninguém foi detido cautelarmente, nada...



Até então, a direção do shopping não se pronunciou sobre o crime, mas o que se leu e ouviu na indireta defesa do estabelecimento é que o tal homem negro tentou insistentemente entrar numa loja que já havia cerrado as portas. Dá para se imaginar o que ocorreu: um bate-boca, um desentendimento, provavelmente troca de agressões e os seguranças, em maior número, imobilizando, talvez espancando e, por fim, aplicando o golpe fatal.



A pergunta que se faz é: se fosse um loiro de olhos claros que estivesse dando um chilique no shopping teria recebido o mesmo tratamento? Obvio que não. O distinto homem branco seria interpelado educadamente, provavelmente convidado a beber um cafezinho na gerência, onde ouviria um formal pedido de desculpas. Ou, se tivesse provocando um ato ilegal, seria simplesmente entregue à polícia, como se recomenda nesses casos.



Mas era um negro, ainda por cima com cara de pobre e esse tipo de gente não merece consideração quando se depara com uma situação extrema como aquela da noite de sábado. Aliás, pelo histórico do lugar, pode-se até dizer que a morte do negro Leidson já era anunciada.



Em agosto do ano passado, Wendel, um rapaz mulato de 20 anos, e mais dois amigos, de 19 anos, foram impiedosamente espancados quando, após se divertirem, se dirigiam ao estacionamento para pegar suas motos. Foram provavelmente confundidos com ladrões. “Eles bateram com madeira e com barra de ferro. Com vergalhão. Por sorte de meu filho, eu fui avisado e cheguei lá e consegui tirar meu filho das mãos dele. Meu filho é bem moreno e quando cheguei ainda ouvi eles xingando meu filho de veado e negro”, lembrou José Ednaldo Coelho Santos, pai do rapaz espancado, no programa Liberdade Sem Censura, da rádio Liberdade FM, na semana passada.



Segundo o pai revoltado, a sessão de tortura aconteceu dentro de uma “jaula” que haveria nos fundos do shopping. “Colocaram ele de joelho onde permaneceu assim por mais de uma hora. Depois começaram a bater nos pés dele”, narrou, no conhecido programa de rádio, acrescentando que as pistolas que os seguranças usavam eram “coisa de polícia”.



Esse evento de agosto também continua em aberto. Ninguém foi punido.



A história lembra aquele caso ocorrido em agosto de 2009, na cidade de Osasco, quando um funcionário da Universidade de São Paulo, tomado por suspeito de um crime impossível – o roubo do seu próprio carro, um EcoSport –, foi submetido a uma sessão de espancamentos com direito a socos, cabeçadas e coronhadas, por cinco seguranças do Hipermercado Carrefour. Enquanto apanhava, a mulher, um filho de cinco anos, a irmã e o cunhado faziam compras. O outro filho de dois anos dormia no carro, por isso ele não entrou no supermercado.



Januário, baiano, negro, teve o rosto bastante machucado e os dentes quebrados. “Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa que não tem problema”, teria comentado um PM, assim que chegou para atender a ocorrência. Mas a sorte dele foi a polícia ter chegado, porque só então verificaram que o carro lhe pertencia.



Os negros morrem mais

Como já se disse aqui, neste belo e miscigenado país tropical livre de tragédias naturais, 50 mil pessoas morrem vítimas de assassinato todos os anos. Mas os brancos têm morrido menos e os negros morrem em proporção cada vez maior. E a diferença só faz aumentar. Em 2002, foram assassinados 46% mais negros do que brancos. Em 2008, a porcentagem atingiu 103%. Ou seja, para cada três mortos, dois tinham a pele moreno-escura. Os números são do Mapa da Violência 2011, realizado pelo Instituto Sangari e Ministério da Justiça.



De acordo com o levantamento, entre 2002 e 2008, o número de vítimas brancas caiu de 18.852 para 14.650, o que representa uma significativa diferença negativa, da ordem de 22,3%. Já entre os negros, o número de vítimas de homicídio aumentou de 26.915 para 32.349, o que equivale a um crescimento de 20,2%. Em algumas unidades da Federação, os números lembram extermínio: na Paraíba, sabe-se lá porque, são mortos 1.083% mais negros do que brancos. Em Alagoas, 974% mais. E na Bahia, os assassinatos de negros superam em 439,8% os de brancos.



Em Sergipe, em 2008 foram mortos 417 negros, contra “apenas” 78 brancos – índice de vitimização negra de 135%. Dado para se lamentar ainda mais: oito dos nove estados nordestinos estão entre as 12 unidades da Federação onde é maior a proporção entre os assassinatos de negros e brancos jovens, de até 24 anos. Nessa faixa de idade, aqui morrem 249% mais negros do que brancos.



O coordenador do estudo, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, levanta duas hipóteses para o caso da mortandade dos negros mais especificamente. A primeira delas é que acontece com a segurança o mesmo ocorrido com a educação e a saúde: a privatização. Assim como quem possui condições financeiras vai a escolas particulares, tem plano de saúde e por isso acesso a melhores hospitais, também se protege melhor do crime quem tem mais dinheiro. As guaritas, grades, carros blindados, os filhos com celular e os seguranças privados (em geral policiais fazendo bicos) protegem da violência as classes sociais mais altas e mais brancas.



A outra razão é de responsabilidade direta do poder público. “Tudo indica que as políticas que estamos desenvolvendo desde 2002 no setor de segurança, em muitos estados, se dirigem fundamentalmente aos setores mais abastados da sociedade”, critica o sociólogo. “Se a maioria dos negros é pobre, é óbvio que não serão beneficiados.” É visível que o policiamento é sempre mais atuante e eficaz nos bairros onde moram os mais ricos.



O problema no Brasil não parece ser a escassez de investimentos, mas a sua aplicação. Os investimentos historicamente ficaram concentrados nas capitais e regiões metropolitanas. Com o crescimento das cidades do interior, os índices de violência aumentaram ali porque os municípios não estavam preparados para o problema.

Se junta à “natural” violência maior entre os pobres a ocorrência da violência policial, de que também são vítimas os negros. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) confirmou que a proporção de pretos e pardos mortos pela polícia é maior do que na população em geral. Isso parece que se aplica a seguranças de certos locais mais sofisticados.



Como disse a socióloga Luiza Bairros, ministra da Igualdade Racial, o problema começa na forma como os policiais são treinados para enxergar o negro. “A imagem utilizada para compor o criminoso é calcada na pessoa negra, mais especificamente no homem negro. O negro foi caracterizado como perigoso em estudos de criminologia e o lugar onde ele mora é visto como suspeito. É automaticamente enquadrado nas três possibilidades de construção da suspeição: lugar, características físicas e atitude. Ou seja, como o racismo institucional existe, acaba moldando o comportamento de boa parte da corporação.”










Marcos Cardoso

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Atenção a todos mas o presente texto mostra bem a hipocresia da nossa diversidade cultural. Parabéns ao jornalista Marcos Cardoso.

Manoel Messias Pereira

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