domingo, 17 de fevereiro de 2013

Teresa

Teresa baixou os olhos, mirou seus seios.
"São meus" - exclamou.
Desceu as mãos. Perdeu-se.
"Meu deus!"
Teresa sorria!

Teresa desceu a saia, o pudor. Desceu os pêlos, a pele. Desceu tudo seu.
Desceu as escadas à rua. desceu à praia, ao mar.
"Sou eu"
Desceu tanto, entretanto, que desceram todos, os outros, à rua, à praia.
Desceram palavras como pedras, desceram rebentos à carne. disseram-na
feia, disseram-na velha, disseram-na vulgar.
Teresa não disse nada!
Lavou os cabelos, longos e negros. Lavou-se toda, por fora, por dentro.
Lavou-se inteira, Teresa.
"É teresa!"- explicavam. Sempre há quem chega tarde.
"Sou eu!".
Lavou-se o avesso, estendeu-se em nudez. Esparramou-se um seio, outro
também. toda a flacidez, as coxas luziam, os braços, o ventre
Teresa sorria!"Meu deus"
Já plena e levada, Teresa subia à praia, à rua, às escadas, ao povo reunido que a cercou:
"Então?" - perguntou.
Não houve pedras, não houve palavras.Não houve nada!

Desde então todos sabem: Teresa é mulher, e toda manhã cruza a cidade ao mar, nua, toda ela, pelos, pele e prazer. Torna seu banho, estende seu corpo, e volta para casa.
Teresa é mulher invejada!




Viega Fernandes da Costa

historiador e escritor


Texto publicado na Revista Cult n.131

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