sábado, 26 de março de 2011

Legado


Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem fim, breve o tempo esqueceu
minha incerteza medalha, e a meu nome se ri.

E mereço esperar mais do que os outros, e eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não são os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.

Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia no meio do caminho.



Carlos Drumond de Andrade
Poeta
Itabira -MG

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Manoel Messias Pereira

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